quarta-feira, junho 08, 2016

História de Popó



Nós compartilhamos nossa humilde residência com a Popó.
Popó é uma galinha resgatada, membro dessa família.

Lá vai a história:
Estava eu, voltando do banco, olho pra atravessar a rua e vejo uma criatura penosa correndo igual uma doida por liberdade no meio da rua.
Era a Popó, que não era Popó ainda.
Popó vinha loucamente correndo NO MEIO da rua! Um perigo pra essa fujona.
Fui volteando ela até que ela fosse pra calçada. Aí o carteiro me viu e me ajudou no cerco. Ela correu para dentro do Forum de Justiça. E o carteiro e eu, cercando Popó. Mas Popó tava afim de continuar fugindo, sem medo de bicicletas, motos, carros ou ônibus. Também acredito que ela não devia ter a melhor experiência do mundo com ser humanos.
Voltando a saga: Popó no gramado do Forum. O segurança de lá avistou a cena e partiu para nos auxiliar. Formamos uma força tarefa para o resgate de Popó. Os dois cercavam e eu tentava pegar.
Demorou um tempinho, sabe!?! Mas conseguimos!!!
Levei Popó para o escritório, comprei remédios galináceos e uma caixa de transporte. Fomos para casa, onde há vários cães que nunca haviam visto uma galinha antes e onde não havia galinheiro.
Contratamos uma segunda força-tarefa: Vizinhos que constroe galinheiros em um dia!
Enquanto o galinheiro não ficava pronto e Popó ainda estava em observação e sendo medicada, tivemos que fazer um manejo especial: prende cachorro, solta galinha, prende galinha, solta cachorros. Mas foram apenas dois dias.
Batizada de Popó, essa criatura muito queridinha que agora aceita ser pega no colo facilmente, faz a manutenção da limpeza do quintal. Cisca tudinho. As vezes ELA se irrita com os cães e parte pra cima na esporada (que ela não tem, mas ataca com toda força). Toda vez que soltamos a Popó do galinheiro, os cachorros já fogem rapidinho pra dentro de casa. Só por precaução.
Uma vez Popó me deu uma bicada no dedo, que arrancou sanguinho e fez um corte em V, exatamente igual o bico dela.
Hoje, antes dessa foto, Dona Popó estava ciscando. Fez um buracão no chão. Depois foi pra outro canto. Cachorrinha Kiki viu o buraco, se animou e foi deitar por lá! Não deu 5 segundos, tava Popó atacando a folgada de Kiki que estava tentando ocupar o buraco que Popó havia feito com tanta maestria e dedicação. "Aqui não, mermã!"
Nossa galinha querida, adora comer um mix de sementes.
Bota ovo quando lhe dá na telha (temos iguanas aqui no quintal, que se abastecem deles).
Tinha vontade de colocar outra galinha por lá, mas ela parece que tá bem do jeito que está. E eu tenho receio dela brigar com outra galinácea.
Então continuamos nessa família harmoniosa por aqui, de 2 humanos, gatos, cães e uma galinha charmosa.

terça-feira, junho 07, 2016

Sobre tirar sangue de porquinhos


Lá vou eu novamente escrever sobre sorologia de suínos, que nada mais é que tirar sangue de porquinhos.

No meu trabalho, de 6 em 6 meses, a gente tem essa tarefa: Ir nas propriedades cadastradas como criatórios comerciais de suínos e tirar sangue dos animais reprodutores, para pesquisa (inquerito soroepidemiologico) da doença Peste Suína Clássica (PSC). A PSC é uma doença que pode acabar com um rebanho suíno, trazendo prejuízos e embargos econômicos. Quiser saber mais como funciona toda essa parte político-economica visite essa pagina aqui.

Essa é a parte burocrática da história. A prática é a que vou explicar a seguir.

Porcos são dizimados com essa doença.

Sendo assim, a gente vai lá pra fazer o serviço. Ver se os porquinhos apresentam algum sinal clínico da PSC.
Depois escolhe o porquinho mais velho da propriedade. Detalhe importante a ser destacado é que geralmente o porquinho mais velho da propriedade é um cachaço (macho reprodutor com seus 300 kg e toda testosterona do mundo) ou uma porquinha (matriz), mãe de vários filhotinhos (com seu instinto protetor aflorado - essa também é uma ótima característica para uma boa reprodutora - e seus 200 kg).
Escolhido o porquinho, vamos àquele momento: Fazer a contenção do animal.
O sangue é tirado pela veia do pescoço, para isso e por causa da camada de tecido adiposo gigante neles (gordurinhas), o animal deve estar em pé. Para conter um animal desse em pé, é passado uma corda no focinho deles e essa corda deve ir atrás dos dentes caninos (lembra dos dentes do Pumba, amigo do Timão? Pois é). 
Aí um fica segurando o bichinho pelo focinho enquanto o outro (no caso eu) vai lá e tira o sangue no pescoço.
Guardem essas informações antes da foto: Alguém aí já segurou algum porquinho? Já ouviu o tanto que grita? 
E vocês sabiam que porcos mordem pelas laterais? Ele não te ataca de frente igual a cachorro. Eles viram a cabeça e mordem o que tiver ao lado. Vocês se lembram também que mafioso sempre tem porco no fundo de alguma oficina, né!?!
Dito isso, lá vão as fotos das minhas amigas Bethania e Nathalia da coleta de sangue: 

Esse porquinho é pequeno, porque essa foto foi da Sorologia de leitões. Mas repara no braço do Vagner, que tá segurando a corda. 


Sim, a gente fica com a orelha ao lado da boca do animal que grita e morde para as laterais.
O negócio tem que ser jogo rápido, porque o suíno é um animal que estressa muito fácil e a primeira coisa que a gente vê é o sangue coagulado por estresse dentro da seringa. Além disso tem uma linhagem suína que apresenta morte súbita por estresses. Imagina? Você tá lá, tentando garantir a saúde do animal e só de você manipular o bichinho, ele já cai morto no chão!

Bom, fiz essa coleta em 10 propriedades semana passada. Um produtor tomou um pisão no dedinho do pé que quase quebrou o dedinho. O outro produtor caiu de costas no chão, durante a contenção. 
É sempre um momento de muita reza pra mim. Ativo São Francisco logo que acordo.
Eu me tremo toda pra tirar o sangue, mas eu tiro. Os produtores morrem de rir de mim, mas gente! Fala sério? Não é para ficar com medo? Eu fico.

Final da história desse semestre: Toda coleta realizada, um dedinho contundido, todos os porquinhos saudáveis.

Porquinhos são um dos meus animais prediletos. São extremamente inteligentes e afetuosos. São muito curiosos também. 
Quando estava tirando sangue de uma mãezinha dessas, to lá agachada no chão, maior estresses, eu e a mãe, só escuto um "oinc oinc" vindo do meu colo! Era um dos filhotinhos que veio mais de perto pra ver o que estava acontecendo por ali. Ooooiiiiinnnnn <3 p="">