quarta-feira, julho 06, 2016

Bolo de Fubá, Leonardo Boff e Paraty.

Tudo começou numa sexta-feira despretensiosa em Paraty. Na tranquilidade de quem tava lá, de bobeira na FLIP, só vendo o movimento e curtindo as apresentações da FLIPinha na praça.

Fomos tomar um café. Jesus!!!!! Que maratona. Quase tão difícil quanto chegar em Paraty saída daqui do interior de Rondonia. Sabe aquele nervoso de tudo lotado? Nós aqui, acostumados com a paradeira do interior, tomar café de graça na padaria, darmos de frente com cafés lotados e caríssimos? Pois é. Estressante.

Mas, depois de rodar igual barata tonta, achamos um café lindinho, com sotaque mineiro e tudo. O Café do Cais (recomendo). E lá encontrei ele. Sim! Encontrei aquela tão sonhada criatura: Um bolão de fubá com goiabada e queijo.

Quando eu digo que um bolo muda meu dia, é a mais pura verdade. Ainda mais um BOLO DE FUBÁ COM GOIABADA E QUEIJO! Sério. Parecia que a deusa havia tocado minha alma.

Lá mesmo, achei um panfletinho perdido na mesa. Nesse panfletinho dizia que nesse mesmo dia, as 18 horas, na Casa da Nuvem de Livro, haveria uma palestra com Leonardo Boff.
Olhei pra marido e disse: Não me retiro desse local até ir nessa palestra.

Marido não entendeu muito, mas concordou. Pediu só que eu achasse um local onde ele pudesse tomar uma cerveja tranquilo, mais tarde, para esperar eu esperar até as 18h. Fomos para um bar/restaurante na lateral da praça e lá ficamos. Já era hora do almoço (sim, o café foi tarde e minha barriga tava cheia de bolo de fubá com goiabada e queijo). Ficamos lá, ficamos, ficamos...

Daí que olho pra esquina. Olhei pra esquina e fiquei catatonica. Eu vi! Menin@s, eu vi Papai Noel.
Sim, pra mim foi igual ver Papai Noel. Aquele senhor de cabelos brancos, barbão branco, camisa vermelha, andando devagarinho com sua bengala, pelas ruas de Paraty. Era ele. O próprio: Leonardo Boff!

Ele ali, tão pertinho e eu catatonica. Me tremia e meus olhos marejaram. Jesus! Nem quando vi Chico Buarque de perto fiquei tão emocionada. Também não tinha ideia que ficaria tão emocionada assim.
Aquele senhor, que prega o amor e o respeito pelo mundo afora, logo ali, na minha frente e eu, bege.
E ele passou com a família e eu lá... Sentou pra almoçar logo ali, e eu lá. Pessoas pararam ele para tirar foto, falar oi, e eu lá... Aff Flávia, toma tenência.

Tomei! Escrevi um bilhetinho. hehehehe. Escrevi esse bilhetinho explicando que tava muito emocionada, que não ia conseguir falar nada, mas que desejo toda paz e saúde desse mundo a ele. Que Deus o protegesse sempre.
Fiquei segurando esse bilhetinho até falar chega. Daí a esposa dele se levantou da mesa e foi dar uma voltinha. Era essa minha chance. Dei uma rodeada, sondei e fui. EU FUI!!! Entreguei o bilhetinho pra ela, a Marcia, companheira de Leonardo (lindíssima, com seu cabelo grisalho MARA). Ela me disse: "Ah, vai lá, fala com ele. Ele é muito simples." E eu: Eu sei, o problema não é ele, sou eu. To toda me tremendo e não vou conseguir falar nadinha. Ela riu, entreguei o bilhete e voltei pro meu lugarzinho.

Foi lindo. Fiquei emocionada.

Mas daí um tempo, meu marido olha pra direção onde eles estavam sentados e sorri.
AH MEU DEUS!!! Eu gelei.
Quando olhei, quem tava vindo em minha direção? Sim, minha gente querida!!! O próprio!!! Leonardo Boff, carregado de amor e carinho. Veio me retribuir o abraço que eu havia lhe enviado por papelzinho. Vixe, não deixei ele nem acabar a saudação, quando vi, já tava pendurada no pescoço dele, num abraço fenomenal. Ah, que abraço bom! Muita paz, sabe!?!

Não sei como, troquei uma palavras, apresentei o meu marido (que tava com uma camiseta de jacaré que Leonardo curtiu) e dei outro imenso abraço de despedida.

Mais tarde, fui a palestra com ele. Estava lotada. A gente tava parecendo palitinho dentro da caixinha. E adivinha? Ele passou por mim, me reconheceu, me saudou e me deu um beijinho! Oh gente!!!
E a palestra foi magnifica. Achei lindas as suas palavras. Muito amor envolvido, sabe.
Muito amor num tempo desse, de tanta ruindade, é bom demais para te recarregar e continuar a jornada.

quarta-feira, junho 08, 2016

História de Popó



Nós compartilhamos nossa humilde residência com a Popó.
Popó é uma galinha resgatada, membro dessa família.

Lá vai a história:
Estava eu, voltando do banco, olho pra atravessar a rua e vejo uma criatura penosa correndo igual uma doida por liberdade no meio da rua.
Era a Popó, que não era Popó ainda.
Popó vinha loucamente correndo NO MEIO da rua! Um perigo pra essa fujona.
Fui volteando ela até que ela fosse pra calçada. Aí o carteiro me viu e me ajudou no cerco. Ela correu para dentro do Forum de Justiça. E o carteiro e eu, cercando Popó. Mas Popó tava afim de continuar fugindo, sem medo de bicicletas, motos, carros ou ônibus. Também acredito que ela não devia ter a melhor experiência do mundo com ser humanos.
Voltando a saga: Popó no gramado do Forum. O segurança de lá avistou a cena e partiu para nos auxiliar. Formamos uma força tarefa para o resgate de Popó. Os dois cercavam e eu tentava pegar.
Demorou um tempinho, sabe!?! Mas conseguimos!!!
Levei Popó para o escritório, comprei remédios galináceos e uma caixa de transporte. Fomos para casa, onde há vários cães que nunca haviam visto uma galinha antes e onde não havia galinheiro.
Contratamos uma segunda força-tarefa: Vizinhos que constroe galinheiros em um dia!
Enquanto o galinheiro não ficava pronto e Popó ainda estava em observação e sendo medicada, tivemos que fazer um manejo especial: prende cachorro, solta galinha, prende galinha, solta cachorros. Mas foram apenas dois dias.
Batizada de Popó, essa criatura muito queridinha que agora aceita ser pega no colo facilmente, faz a manutenção da limpeza do quintal. Cisca tudinho. As vezes ELA se irrita com os cães e parte pra cima na esporada (que ela não tem, mas ataca com toda força). Toda vez que soltamos a Popó do galinheiro, os cachorros já fogem rapidinho pra dentro de casa. Só por precaução.
Uma vez Popó me deu uma bicada no dedo, que arrancou sanguinho e fez um corte em V, exatamente igual o bico dela.
Hoje, antes dessa foto, Dona Popó estava ciscando. Fez um buracão no chão. Depois foi pra outro canto. Cachorrinha Kiki viu o buraco, se animou e foi deitar por lá! Não deu 5 segundos, tava Popó atacando a folgada de Kiki que estava tentando ocupar o buraco que Popó havia feito com tanta maestria e dedicação. "Aqui não, mermã!"
Nossa galinha querida, adora comer um mix de sementes.
Bota ovo quando lhe dá na telha (temos iguanas aqui no quintal, que se abastecem deles).
Tinha vontade de colocar outra galinha por lá, mas ela parece que tá bem do jeito que está. E eu tenho receio dela brigar com outra galinácea.
Então continuamos nessa família harmoniosa por aqui, de 2 humanos, gatos, cães e uma galinha charmosa.

terça-feira, junho 07, 2016

Sobre tirar sangue de porquinhos


Lá vou eu novamente escrever sobre sorologia de suínos, que nada mais é que tirar sangue de porquinhos.

No meu trabalho, de 6 em 6 meses, a gente tem essa tarefa: Ir nas propriedades cadastradas como criatórios comerciais de suínos e tirar sangue dos animais reprodutores, para pesquisa (inquerito soroepidemiologico) da doença Peste Suína Clássica (PSC). A PSC é uma doença que pode acabar com um rebanho suíno, trazendo prejuízos e embargos econômicos. Quiser saber mais como funciona toda essa parte político-economica visite essa pagina aqui.

Essa é a parte burocrática da história. A prática é a que vou explicar a seguir.

Porcos são dizimados com essa doença.

Sendo assim, a gente vai lá pra fazer o serviço. Ver se os porquinhos apresentam algum sinal clínico da PSC.
Depois escolhe o porquinho mais velho da propriedade. Detalhe importante a ser destacado é que geralmente o porquinho mais velho da propriedade é um cachaço (macho reprodutor com seus 300 kg e toda testosterona do mundo) ou uma porquinha (matriz), mãe de vários filhotinhos (com seu instinto protetor aflorado - essa também é uma ótima característica para uma boa reprodutora - e seus 200 kg).
Escolhido o porquinho, vamos àquele momento: Fazer a contenção do animal.
O sangue é tirado pela veia do pescoço, para isso e por causa da camada de tecido adiposo gigante neles (gordurinhas), o animal deve estar em pé. Para conter um animal desse em pé, é passado uma corda no focinho deles e essa corda deve ir atrás dos dentes caninos (lembra dos dentes do Pumba, amigo do Timão? Pois é). 
Aí um fica segurando o bichinho pelo focinho enquanto o outro (no caso eu) vai lá e tira o sangue no pescoço.
Guardem essas informações antes da foto: Alguém aí já segurou algum porquinho? Já ouviu o tanto que grita? 
E vocês sabiam que porcos mordem pelas laterais? Ele não te ataca de frente igual a cachorro. Eles viram a cabeça e mordem o que tiver ao lado. Vocês se lembram também que mafioso sempre tem porco no fundo de alguma oficina, né!?!
Dito isso, lá vão as fotos das minhas amigas Bethania e Nathalia da coleta de sangue: 

Esse porquinho é pequeno, porque essa foto foi da Sorologia de leitões. Mas repara no braço do Vagner, que tá segurando a corda. 


Sim, a gente fica com a orelha ao lado da boca do animal que grita e morde para as laterais.
O negócio tem que ser jogo rápido, porque o suíno é um animal que estressa muito fácil e a primeira coisa que a gente vê é o sangue coagulado por estresse dentro da seringa. Além disso tem uma linhagem suína que apresenta morte súbita por estresses. Imagina? Você tá lá, tentando garantir a saúde do animal e só de você manipular o bichinho, ele já cai morto no chão!

Bom, fiz essa coleta em 10 propriedades semana passada. Um produtor tomou um pisão no dedinho do pé que quase quebrou o dedinho. O outro produtor caiu de costas no chão, durante a contenção. 
É sempre um momento de muita reza pra mim. Ativo São Francisco logo que acordo.
Eu me tremo toda pra tirar o sangue, mas eu tiro. Os produtores morrem de rir de mim, mas gente! Fala sério? Não é para ficar com medo? Eu fico.

Final da história desse semestre: Toda coleta realizada, um dedinho contundido, todos os porquinhos saudáveis.

Porquinhos são um dos meus animais prediletos. São extremamente inteligentes e afetuosos. São muito curiosos também. 
Quando estava tirando sangue de uma mãezinha dessas, to lá agachada no chão, maior estresses, eu e a mãe, só escuto um "oinc oinc" vindo do meu colo! Era um dos filhotinhos que veio mais de perto pra ver o que estava acontecendo por ali. Ooooiiiiinnnnn <3 p="">


domingo, abril 10, 2016

MILHO - O SUSTENTO DA VIDA

  Bom dia, com milho!
O que esse milho cozido desencadeou na minha pessoa!


 Ontem comentei com Nathaniel que eu havia levado algumas espigas de milho para o trabalho e lá comemos tudo, rapidinho! ( Pq aqui em casa demora um tempão Pq só eu como) . E ele comentou: Ah vcs Americanos! ( Nós do continente americano). Aí eu fiquei com cara de interrogação. Depois eu fiquei com cara de pensativa. E sim! Ele está certinho! Já botou reparo no tanto de milho que a gente come, de forma direta ou indireta!?! Para e pensa aí! E depois de um tempão que eu ainda continuava com a cara de pensativa, ele mandou mais essa: E a gente é da turma da batata.



  O que pensei? "O que esse menino tá falando? Ele não come milho? Não, ele não come. Por que Americanos? Ah sim! O milho tem origem nas Américas. Certo. Mas a gente come tanto milho assim? Vixe Maria, SIM, a gente come é muito milho!" Nesse link da EMBRAPA você aprende mais um pouquinho sobre a história do milho.

  Pensei mais ainda: "Nossa Flávia, você come pipoca pelo menos 3 vezes por semana, de baciada. Você come mais pipoca que pão de queijo! Inclusive todo mundo do seu trabalho também. E meu bolo predileto é o bolo de MILHarina. SIm. E antes era o bolo de fubá. Fubá, compreende!?! Então... E seu junk food do coração, qual é? Hehe é Doritos... E seu prato salgado "confortable food"? Hmmm... polenta. Mas não foram os italianos que fizeram a polenta? Os italianos não são desse continente. Hm tem alguma coisa errada aí. É que a gente adaptou a POLENTA e ficou DIVINA! E você já reparou que toda vez que você vai ao supermercado, você tras uma lata de milho, ou canjica, ou fubá ou farinha ou pipoca, ou tudo isso?" 


  E eu acordei hoje, continuo pensando em tudo isso e na história do milho. Achei melhor compartilhar os pensamentos com vocês.


  Além disso, achei importante a gente saber sobre o Milho Crioulo. Esse milho é o milho que não é transgênico, que é nativo nosso. Que deve ser preservado. É nosso alimento, é nossa cultura. Existem vários bancos de sementes de milho crioulo espalhados por todo o Brasil e nas Américas. Porém é muito importante que escolhamos as sementes provindas da nossa região, por questões de adaptação da cultura a doenças, pragas, ao clima também.

  É simplesmente fascinante o estudo do alimento. Fica a dica aí!
Alguns tipos de milho crioulo


quarta-feira, março 09, 2016

Trabalho, evolução e prazer



Nossa, tô até tonta com tanta notícia bizarra, porém reais.
Então vou contar uma historinha real, porém legal.
Quando eu comecei a trabalhar na IDARON a gente falava com os produtores para classificar seu gado por idade, que isso era importante para eles poderem controlar melhor seu rebanho, as vacinações, as vendas e tudo mais. O que escutei muito foi: Ah, cê acha!?! Eu não sei nem a idade dos filho, vou saber das bezerra!?!

Passaram-se 14 anos (é, to quase aposentando já... ‪#‎SQN‬) e agora todo mundo (ou quase todo mundo), anota bem direitinho os nascimentos dos seus animais, cada um de um jeito, mas anotam. Parei para pensar nisso ontem e fiquei muito feliz.
Quanto a idade dos filhos, daí já não sei.

domingo, fevereiro 15, 2015

Só observo!

(cobrinha observando no quintal daqui de casa. To na mesma vibe).

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Erros, Manduca e exageros.


Hoje o dia foi, como posso dizer, exigente.
Não foi ruim, não foi difícil, mas exigiu de mim.
Eu mandei documento errado (via de documento errado) e não pude corrigir. Eu esqueci de mandar uns montinhos (falar no diminutivo diminui a cagada?) de documentos para a gerência...
E sabe o que eu tive que escutar?
Um monte de gente bacana, que não me deram bronca, nem esculacharam, nem nada. Só solicitaram as correções, notificações dos erros e bola pra frente!
Conclusão: Eu tenho que parar de dar piti quando alguém faz algo errado.

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Nesse final de semana fui colher tomate e vi um tomatinho ainda verde comido. Não vi nenhum bichinho suspeito por perto. Mas vi um cocozão gigante nas folhas (gigante assim, né gente! Nada de cocô de elefante). Fiquei observando um tempão e não vi ninguém!

Fui dar uma olhadinha no tomateiro e colher uns maduros, hoje na hora do almoço.
Niqui chego pertinho, dou de cara com um bichinho, que parecia de borracha, daqueles de brincar na banheira.
Coisa mais linda e fofinha. Daí tá.
Olhei pro lado, mais uma, pro outro, mais outra e outra e outra...
Fotos, fotos e mais fotos (só saiu uma boa pq eu não sei usar direito esse negócio Macro da câmera).

Como felizmente trabalho rodeada de pessoas de conhecimento, meu amigo João, engenheiro agronomo, deu uma pesquisada e logo já achou o nome das minhas novas moradoras: MANDUCA.

Eu não tenho coragem de matar. Nem de tirar. Ainda mais depois que eu li que ela se defende dos inimigos naturais usando o bafo! BAFÃO!!!!


Afastar as inimigas e as invejosas no BAFO! HÁ!


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Depois que escrevi sobre meu exagero do tamanho do cocô, lembrei de Carlos, um antigo supervisor meu, Carlos, que me perguntou um negócio e eu disse : AH, FOI UMAS 354 MIL VEZES, NÉ!
Ele comentou: Você podia ter parado no 354, né Flávia!
AHAHAHHAAHAHAHA.
Eu não consigo.